quarta-feira, 27 de julho de 2005

Foi por medo que ela abraçou o vazio...

O que o medo não faz... Foi por medo que ela abraçou o vazio. Medo do sentir, do ter, e logo, do perder. Tudo deve, eventualmente, ter um fim. O fim faz a beleza do inicio e a magia do durante. Saber que tal coisa é finita faz com que ela tenha mais valor. Mas e quanto a se entregar? É possível entregar-se por inteiro, quando se sabe que o fim é inevitável, que a dor da perda é eminente?

E foi por isso que o vazio se tornou tão convidativo. No vazio não existe o ter, não existe o perder. Agora, ela vê que tudo sempre foi assim, escuro, solitário, vazio. Ela não perdeu nada. Nunca teve nada, na verdade. O único companheiro dela durante todo esse tempo foi ela mesma. Mas quem é ela, se não uma farsa, feita pra convencer a todos, inclusive a si mesma.

A escuridão é tão melhor, tão mais segura que o mundo lá fora. É tentadora a proposta de se entregar ás trevas, de fugir de todos. Quem sabe em um novo lugar, longe daqueles olhares taxativos, dos "tudo bem?" vazios, ela consiga se encontrar, descobrir novamente seu Eu.

Tanto tempo perdida tentando consertar as coisas, resolver os problemas. Às vezes tentar demais é o problema. Às vezes se entregar é o único caminho para a vitória.

Entregue-se então ao vazio. Não se preocupe, ninguém vai sentir a sua falta.


Algo mais: “Antes morta do que só...”

Ao som de: Golden Years - Marilyn Manson

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