
Tantas decepções não fizeram dela uma pessoa mais forte... mas fizeram dela um ser frio e com uma ânsia enorme de ser insensível, algo pouco provável!
Ela sente demais, e vê que sem alguém que a ame, ela não é nada.
Ela não significa nada para ela também...
Desistiu de muitos sonhos e perdeu todas as esperanças... De vez em quando surge uma pequena esperança. E, dependendo do seu humor, ela a agarra, ou a deixa ir, assim como as outras se foram...
E ela não para de cair e de se afundar nos seus próprios lamentos e na sua dor, que se tornou algo berrante e difícil de se esconder. Esconder para que também? Ela não quer a pena de ninguém, e não quer que se importem...ou quer? Bom, às vezes...mas não quer ficar calada, não vê sentido para isso.
Os cortes se abrem e as cicatrizes nunca vão embora... eis as marcas que ficarão em sua pele... Ódio dos outros e de si mesma, constante tristeza e melancolia, solidão que a consome, pouco a pouco, a cada dia... dores estas que só aparecem para o mundo exterior através de seus olhos.
Mas a pior das dores é aquela que ela guarda em sua alma... que há tempos está ferida.
A cada mágoa, lágrimas e sangue escorrem de seu aflito coração... e ela não consegue sair do seu mundo... aquele que ela mesma criou para se refugiar...
E por que ela não consegue lidar com o que ela é de fato, e com os sofrimentos que fazem parte da vida?
Por que ela não consegue, simplesmente, ser indiferente a tudo e a todos?
Por que ela não tenta sair desse estado em que ela se encontra?
Por que é fraca e se tornou dependente dos outros?
Ela não sabe...
Ela não sabe de quase nada, aliás...
E a sua falta de interesse em viver e pensar no seu futuro, não mais a assusta.
Sua família planejando seu futuro, e ela apenas pensando em como se livrar de tudo isso...
Mas ela começou a ter pena de si mesma... afinal, ela sentia pena daqueles que não conseguiam lidar com si mesmos, e eram perturbados 24hrs por dia por essa maléfica convivência com o seu EU interior.
Ela não gosta do que vê no espelho, mas isso ela sabe que poderia mudar, se quisesse.
O que ela não pode mudar é o que ela é, o que ela se tornou ao longo de sua medíocre vida.
E dele... dele ela só tem saudades e boas lembranças... Lembranças da época em que ela sentia vontade de viver, nem que fosse apenas para ter a sua companhia...
Algo mais: "É o fim... Não temas!... Sinta as sombras no seu coração... Da morte nasce a vida... Um mundo sem ilusão... Onde apenas sobrevivem... Os que enxergam a arte na escuridão".
Ao som de: Moments Have You - John Frusciante
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