sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Para chegar à Tristeza.


Para chegar à tristeza, mãe,
Quem me dera não ter escutado
O choro das crianças mortas.
Foi um longo caminho até aqui,
Em que meus olhos sangraram
Em miséria e discórdia.

Avenidas sem fim, luzes sem rumo
E o gosto da noite vazia.
Estou seca.
E nem a chuva, mãe, sacia a sede
Fugindo de minha boca,
Ainda que beijando meu rosto.

Para chegar a tristeza, eu,
Castiguei meus passos sem poupar esforços,
Procurei perder-me nas ruas de Mirto.
Não marquei caminhos, mãe,
Não sonhei voltar,
Perdoa-me por isso.

E se me entrego, sei que não venero a dor do inimigo.
Olha minha riqueza, vê quanta descrença em encontrar abrigo.
Olha o que carrego só pra ter certeza
De que entre as palavras ainda estou viva.

E se eu não voltar, mãe,
Diz pra mim que não vai chorar.
Diz que vai lembrar sim
Dos dias em que eu corri pra te abraçar
E que tive medo sem guardar segredo
De que não sabia explicar.

E chegar aqui, mãe,
Foi castigo infinito
Por saber não ser o fim.
Porque hoje sei
Que a gente nunca sabe porque tanta poesia
Esconde tanta maldade.


Algo mais: "Igualmente, enquanto eu respiro vem um anjo para sua guarda. Certamente, se assim for as promessas são minhas para lhes oferecer.
Minhas para oferecer. De dia a dia, minha jornada...A longa peregrinação diante de mim.De noite a noite, minha jornada...As histórias que jamais existirão novamente."


Ao som de: Californication - Red Hot Chili Peppers


Perdoa-me, mãe, por decepciona-la e me entregar ao caos.

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