quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Perceptivelmente ninguém decifra-me...


Não porque sou obscura
Mas talvez porque seja eu uma fortaleza
Onipotente, grandiosa, impenetrante...
Indecifravél...
Porque ninguém percebe o tão perceptível...
Que minha fortaleza desmorona
Mesmo que meus muros imensos continuem intactos.
Sei que sou este acúmulo de forças
Tão coesa e tão imensa...
Que pode sufocar, esmagar, destruir.
Não é tão difícil perceber que nada é eternamente onipotente.
Todos os impérios caem, todos os soldados morrem.
E meu castelo está desmanchando como papel de seda n'água.
Não me entristeço, nem me aborreço.
O concreto pode reconstruir-se, como lego.
E minha fortaleza voltar a existir, muito mais forte e presente...
E talvez me decifrem a charada...
Que sou nada, vestida de tudo...
Tão frágil quão uma lâmina de cristal em meio ao terremoto.
Que minha fortaleza não existe de verdade,
E que minha força não é concreta,
Que pode acabar tão velozmente quanto recomeça...

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