sexta-feira, 10 de março de 2006

Busco o infinito e os precipícios nus!

. Obsessão .

Bosques, encheis de susto como as catedrais,
Como os orgãos rugis; e em corações malditos,
Câmaras de eterno luto e choros ancestrais,
Ecoam vossos 'De profundis' em tristes gritos.

Eu te odeio, oceano! e com teus tumultos,
Já que és igual a mim! Pois este riso amargo
Do homem a soluçar, todo sombras e insultos,
Eu o escuto no riso enorme do mar largo.

Como serias bela, ó noite sem estrelas,
Que os astros falam sempre claro em sua luz!
Busco o infinito e os precipícios nus!

Porém as trevas são elas próprias as telas,
Em que brotam, a vir de meu olho, aos milhares,
Seres vindos do além de rostos familiares.


[Charles Baudelaire]


Ao som de: Concerto para Piano Nº 1 em MI Menor, OP. 11 - Allegro Maestoso - Frédéric Chopin (Royal Philharmonic Orchestra)

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