domingo, 19 de agosto de 2007



[.paranoid.]


À Segunda Vista
A moça do espelho me observa dolorosamente.
Minha vida pacífica caiu por terra,
a arte da guerra se faz teoria vigente,
e o ódio no olhar se faz rotina.
Não me encontro mais em campos floridos
e as noites nupciais se foram em homicídios.
Não gosto de multidão.
É difícil de ver com tantos à volta.
Meus olhos vermelhos se despedaçaram em lágrimas
e o sorriso fugiu de mãos dadas com a emoção.
Devolva minha terra.
Eu não estou pronta. Eu não cresci.
Me julgue por ser humana, mas por favor, não se esqueça
de que até o rei Sol se esconde em eclipses.
Se não me entende, não me importo.
Dever satisfações é o fim.
Se não me entende, não me procure.
Em maré alta me sufoco em sentimentos baixos.
Se não encontro sossego
de novo me rasgo.

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