{ beyond fire and flower, she found what she searched for }
Sinto nesses dias ares diferentes... de uma certa magia que me encantam e me rodeiam... não sei o que acontece, porque subitamente me transformei. E não sei, na verdade, se me transformei ou apenas assumi algo que estava dentro de mim a muito esperando apenas para despertar... para que eu confiasse o suficiente nisso para permitir-lhe sorrir. Talvez tenha sido um sorriso melancólico e tímido, daqueles cheios de olhares incertos, mas confiantes em sua complexa e simultaneamente simples existência... e nisso esse sorriso se entrega e se perde... ás vezes como as brumas da manhã, em outros momentos como a brisa da tarde, suave mas persistente, em seu encanto único... eterno.
Persistir... será que a natureza tímida dessa parte da alma persistirá? Dia após dia, noite após noite, me alimenta e mantêm... me faz ver o passado, o presente, e pressentir algumas das possibilidades do futuro... brinco de ver dentro de mim o destino numa gota de orvalho, jogar folhas para o alto e enquanto elas queimam no fogo... as observo. Sempre diferentes, inconstantes, mutantes. Como a vida, e a morte, e a eternidade. Aonde eu me escondo? Em uma árvore sentada, solitária uma menina chora... serei ela, ou será que agora apenas a observo do lado de fora? Ela se tornou uma miragem do que já fui... será que realmente me importo? Termino por pensar que não. Agora me encontro, agora existo. Sempre existe, mas... admito-me. Sou assim, achas estranho? Pois, meu caro, não te percas no encanto ou falta de encanto... nada disso diz tanto assim, de mim ou de ti. O que realmente fala à nossas almas... reside no silêncio. Escute... dentro da noite, no brilho opaco mas persistente das estrelas... uma canção de mil anos que não cessa jamais. Ela também ecoa dentro de mim e de ti... alta, forte, contagiante... as folhas caem no outono e cantam também. As árvores descamam e se entregam, poderia eu viver uma eternidade na presença delas? Ás vezes me pego dizendo que sim... mas no fim, gosto tanto das pessoas também... por mais que elas me machuquem, por mais que elas me ignorem ou me endeusem... não quero ser uma Senhora, nem uma mendiga, nem sua inimiga. Quero apenas ser. Isso, simples e puramente. E se você olhar dentro de mim e quiser compartilhar qualquer coisa... sinta-se a vontade, a casa é sua também. Apenas não me peça para mudar as paredes, abrir as cortinas que ainda estão sujas de sangue... certas coisas continuam, e dependem mais do que de desejos para serem modificadas... certas coisas realmente precisam da quebra do silêncio, e do resgate da inocência... ainda te lembras do sabor da inocência? Era doce, era verdadeiro, feliz e palpável... poderia eu me entregar novamente a aquela porta no território do esquecido? Reencontrar a relva e o sonhar, talvez na sutileza de meus passos inaudíveis amar... amar mais uma vez, todos aqueles que já se foram, mas que permaneceram... dentro do olhar.
Mas se eles estão lá... por que de lá também saem as lágrimas? Coisas que apenas o tempo sob as estrelas a de revelar...
Ao som de: This Velvet Glove - Red Hot Chili Peppers.
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