domingo, 26 de dezembro de 2010

Agora que as tuas ilusões te deixaram, a solidão te pede a alma.



Agora que o teu show acabou
Agora que as luzes do palco
Não se acendem mais
Agora que as tuas ilusões te deixaram
Agora que a solidão te pede a alma
E o último anjo veio te buscar

Agora que teu medo
Te escorre pelos dedos
Agora o fim do show
E as palmas te condenam...
Agora vem o dia roubando o amanhecer
Agora a solidão te pede a alma....



Quando a cidade se enche de luzes e anjos, bolas de cores, laços gigantes que pendem das árvores e as milhares de luzes cintilantes, como chuva de prata, quando a música enche as ruas, os espaços desabitados, percorre as vielas e embala a cidade, quando de repente por todo o lado surgem crianças de sorrisos rasgados, é agora que a solidão pesa mais, todas as dores são mais agudas, todas as tristezas parecem uma injustiça. E se todos sabemos que a vida não é justa, se já passou o tempo em que acreditávamos na magia, na magia do amor, da amizade, é nesta quadra que mais sentimos a falta desse tempo em que tudo parecia possível. Este ano, mais do que nunca, o Natal é mais triste e o Ano Novo aproxima-se como se fosse um abismo.



Eu pedi tanto, que ela finalmente veio. E estou tentando não ter medo dela, mas a solidão agora, aos 24 anos, é mais cruel do que me lembro dela quando criança.

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