domingo, 7 de agosto de 2005

E as lágrimas que choro ninguém as vê cair dentro de mim!

______ Lágrimas ocultas _______

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca


Algo mais: "Não há muito que sobrou para amar...muito cansada pra odiar...Eu me sinto vazia...Eu sinto o minuto de decadência...eu estou indo para o fundo, gostaria de levar você comigo..."

Ao som de: **Silêncio**

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