sábado, 29 de outubro de 2005

Visões da febre.


Doente. Sinto-me com febre e com delírio
Enche-se o quarto de fantasmas. 'Ma visão
Desenha-se ante mim tão branca como um lírio
Debruça-se de leve... Estranha aparição!

É uma mulher de sonho e de suavidade
Como a doce magnólia florindo ao sol poente
E disse-me baixinho: "Eu chamo-me Saudade
E venho pra levar-te o coração doente!

Não sofrerás mais; serás fria como o gelo;
Neste mundo de infâmia o que é que importa sê-lo
Nunca tu chorarás por tudo mais que vejas!"

E abriu-me o meu seio; tirou-me o coração,
Despedaçado já sem 'ma palpitação,
Beijou-me e disse "adeus!" E eu: "bendita sejas!"

Por Florbela Espanca

Algo mais: “Recolham essas flores, de aparência sombria e pura...Recolham todas elas, e depositem em minha sepultura.”

Ao som de: [Silêncio] ...

Nenhum comentário: