quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A arte é o ar que a minha consciência respira.

Há dias que são dignos de moldura, embora ao mesmo tempo se mostrem tão ricos de sons conflitantes, linhas, cores e luzes que ardem, e por isso não entediam. Suas cores são fortes como as de uma planta de plástico, uma cópia laser de alguma obra antiga.


Vejo o mundo como uma obra de arte. Às vezes como em "O Nascimento de Vênus" de Botticelli, belo e encantador. Doce.
Às vezes como uma obra expressionista. Dramática, subjetiva...com cores irreais. Amor, ciúme, medo, solidão,a miséria humana, a prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.
Outras vezes, caos. Como Salvador Dali - caos e criatividade.
O caos me arrebata, me descompõe, me recompõe e me devolve à mim mesma transformada, renovada, um ser indefinido e indefinível.
Viver no olho do furacão é rotina, sentir meus pés apoiados no epicentro de um terremoto é freqüente.
Quando mais próxima me encontro de saber quem sou, o vai-e-vem da onda me carrega para o mar e me devolve à praia, brincando espertamente com minha tentativa de me ver no espelho. Ela ri de mim, zomba de minha pequenez e atrevimento. Espraiado na areia úmida, o enigma repousa o cansaço da auto-decifração. Viro-me de costas, na crosta do planeta, confundida com os pequenos grãos de areia, e encaro a grandeza do Universo que joga comigo. Nem certeza nem dúvida, nem tristeza nem alegria, nem dor nem bem-estar, apenas a perplexidade diante do mistério insondável da Vida. São incontáveis anos de viagem peregrina por dentro de mim mesma, sob sucessivos terremotos e acomodações das placas bio-psico-tectônicas. E me vejo indagando ao espaço luxuriante que me envolve, se essa é a essencial finalidade do existir: a transformação. O velho Lavoisier disse, e virou lei, que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Só não me é permitido saber em quê. De repente, desavisadamente, sou um "quê" diferente e já não sou mais...




Não tente me decifrar!
Nunca entrarás no meu silêncio, nem me conhecerás. Meus sonhos nunca serão seus.
Minha arte está além da sua perversão.

Um comentário:

Guilherme Barba-Ruiva disse...

Muito inteligente seu blog, guria, curti mesmo, se vc curte runas, história antiga (dos povos bárbaros)
dá uma passada no meu blog
(www.vikingkrieger.blogspot.com), tô pensando seriamente em por seu blog na lista de indicações (ou pelo nome original "Uns Sites legais")...

flow até a próxima